Timidez Revelada

21 05 2007

Preciso falar, para poder ter um pouco de paz.
É uma necessidade forte que surge e
obriga-me a vir aqui,
falar de algo há muito contido dentro do meu peito.
Não ria, por favor,
deixe-me falar hoje
senão, não vou conseguir nunca mais.
Perdoe… mas preciso
quero mesmo, fazer isso,
finalmente me expor
Não sei nem como estou conseguindo.
Está vendo que me enrolo
e não falo do quê eu quero. Preciso falar desta maldita e insuportável timidez.
Que me atrapalha, me trava e me cala.
Que impede de dizer coisas…
as coisas que quero dizer a você
e que não consigo quando tenho oportunidade.

 

Aí, surge aquele riso nervoso, desvio os olhos
falo do tempo, conto estórias
todas as estórias… mas não falo o quê sei que espera ouvir
e que nunca sai da minha boca.
Juro que eu tento, mas me atrapalho, fico rubro
transpiro nas mãos, olho pro chão
querendo que o mundo se abra e me engula vivo
só pra não ter que falar nada.

 

Eu sinto e vejo que você se diverte em me ver nesta constrangedora situação. Fica aí, parado, esperando
fazendo da sua espera a minha tortura de não saber como, de que maneira chegar. E você aí, querendo ser tocado, e eu aqui, sem tocar

 

Preciso falar desta detestável
maneira minha de ser
que se reserva tanto
que cala tanto, a tal ponto
absurdo que constrange
me constrange, te constrange
que às vezes
fala com o olhar, um canto de olho
que se esconde para te ver de longe
que aviva a minha imaginação
sonha em fazer, o que não faz, fala o que não revela
debocha do que admira
desdenha do que não quer
confunde, me confunde
te confunde.

 

Aí eu digo
que sou assim mesmo,
que gosto de solidão
porque sou sensível
sou discreto, que gosto de
privacidade que sou um ser solitário, que sou intocável.
Quando isto é uma mentira, e quero mais é que um terremoto
me abale e me tire deste estado.
Preciso ser libertado de mim mesmo, quebrar couraças
desta imensa reserva que me impede de dar, de doar o meu imenso amor
suprir esta carência de ser carente de amor.
Se recebo amor, não chega em mim
Se quero dar amor, não sai do peito, nem em forma de dor.
Aí, você vem e me chama
de indiferente, arrogante
orgulhoso, egocêntrico.
Aí, eu quero morrer e nem isso eu posso fazer.
Ás vezes fico pensando se isso tudo não é para esconder uma grande covardia
e incompetência de minha parte com a minha própria vida.
Ai céus! O meu problema e que eu sou o meu maior problema!
Como resolvo isso?
Não sei.
Atrapalho-me todo e, hoje,
exatamente hoje, depois de tanto me esconder
exponho-me assim meio de qualquer jeito
diante de você meio me sentindo ridículo
aliás, totalmente ridículo.
Creio mesmo que devia me fantasiar de palhaço
pela palhaçada que me obrigo a fazer.

 

Agora não tem jeito, já foi, fiz
Tá feito.
Talvez devido a algum trânsito no meu céu astrológico
que amanhã vai me levar ao arrependimento.
Timidez, desmedida, medida
tida, contida, explodida, ilógica
que não agüento mais conter que tem de sair de mim
para você e gritar que quero, preciso te amar.
Que te amo, não vivo sem você
e é para você, por você
que dou este vexame público.

 

Desculpe o mau jeito, deste jeito meu
de declarar o meu amor.

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Ações

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4 responses

22 05 2007
Tereza

se superou.

genial, passional, angustiante, contagiante, tocante, mágico. e um pedaço de cada um de nós.

=***

22 05 2007
dudiee

De verdade?

Adoro isso tudo!

=**

13 07 2007
Bete

Lindo meu amigo amado, bjs em seu coração de taurino, sou de gêmeos com ascendente em touro.
TE ADORO!!!

9 06 2008
tomaz

lindo. de quem é esta poema?

acho q ja o vi antes….

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