Capítulo 1

2 05 2007

Continuando o livro em questão:

1

Após contar á todos e resolver os problemas relacionados á visto de permanecia e tudo mais foi para o Rio de Janeiro para me despedir dos parentes e amigos.

Num dia de frio, peguei meu casaco e resolvi ir ao shopping. Peguei o carro e fui em direção à Barra da Tijuca. Quando cheguei ao shopping fiz as compras programadas e quando estava dentro do provador meu telefone começou a vibrar dentro da minha calça.

Quando olhei o visor do telefone achei estranho o nome Leonardo no visor com o prefixo do Rio, mesmo assim atendi. Do outro lado da linha aquela voz que há tempos não escutava.

– Bom Dia, lembra de mim? – perguntou-me com uma voz igual a que usou quando nos encontramos pela primeira vez há uns dois anos antes.

-Claro! – Respondi.

E assim a conversa prosseguiu normalmente. Outros dias outras conversas. Até o dia em que ele apareceu na casa dos meus parentes sem ao menos me avisar. Conversamos durante muito tempo e ao final ele sem avisar-me beijou-me.

Na véspera da viagem ele me chamou para dar um volta de carro pelo Rio. Falei que precisava falar com minha mãe, que perguntou:

-Você vai com quem? E pra onde?

Calmamente respondi:

-Com o Leonardo, vamos dar uma volta na praia e tal, tudo bem?

-Tudo, mas não demora!

-Ok!

A buzina de repente soou, peguei o casaco, desci mais do que correndo, entrei no carro e perguntei:

-Aonde vamos?

-Surpresa.

-Ah, não, Leonardo! Fala logo!

-Tudo bem. Você não falou que nunca foi a Teresópolis? Pois é, vamos até lá…

-Mas, é muito longe!

-Olha, não se preocupe, na serra paramos numa churrascaria, depois numa loja de doces, no campo. Vamos a Teresópolis e voltamos. Tudo bem?

-Bom, se dizes, vamos lá!

Saímos da vila. Conversamos sobre todas as histórias de nossa adolescência, rimos, vimos o sol, a paisagem. Enfim chegamos à churrascaria. Almoçamos e continuamos o caminho.

Chegamos à loja de doces. Compramos compotas, doce-de-leite, geléias, roscas de vários sabores. Divertimos-nos muito. Depois disso tudo continuamos a viagem.

De repente ele parou o carro, o que eu estranhei, ele desceu, abriu o porta-malas e tirou uma toalha estendendo-a na relva. Achei meio esquisito, mas desci do carro assim mesmo. Olhei em volta e lá estava toda aquela imensidão, aquela toalha e ele. Sentamos na toalha e ficamos lá curtindo a paisagem e é claro aquele momento juntos. Até que decidimos ir à Teresópolis.

A cidade é linda. Passeamos, compramos lembrancinhas, presentes. Ganhei uma réplica do ponto turístico da cidade. De repente meu celular tocou, levei o maior susto. Era minha mãe.

-Onde você está Rodrigo?

-Em… Em… Teresópolis… – respondi com certo medo.

-Aonde?!? Venha pra casa agora!

-Tá bom, estou indo!

Pegamos o carro e voltamos para o Rio. Paramos em frente à vila que eu estava hospedado. Quando estava quase saindo do carro ele me puxou pela mão e perguntou:

-Podemos sair mais tarde?

-Não sei, mas passa aqui às 20h, tá?

Entrei em casa, ouvi aquela baita esculhambação, mas consegui convencer minha mãe a deixar eu sair mais tarde.

As oito em ponto lá estava ele, me esperando na porta. Entrei no carro e saímos. Apesar de toda a felicidade que eu estava sentindo passei o tempo todo calado, meio triste. Até que ele parou o carro à beira da praia.

– Rodrigo, o que foi? O que tá acontecendo?

– Nada. Só estou pensando nisso tudo, nesse mês que passamos juntos, que daqui a três horas vou entrar num avião e praticamente ficarei sozinho, sem você, sem família, sem ninguém. Estarei indo para um lugar novo, conhecer gente nova, novas emoções…

Parei de falar com os olhos cheios d’água, ele estava olhando as estrelas, olhei-as também. No minuto seguinte ele me perguntou:

-Que horas sai o vôo?

-Às 7h da manhã…

-Então… Até o aeroporto…

Olhei para ele com cara de espanto. Logo retruquei:

-Você tá maluco?!? Como assim?!?

-Você falou que ia contar para todos quando entrasse naquele avião, não foi? Pois é! Não se preocupe. Depois que você atravessar o portão de embarque conte ate dez, olhe pra trás e eu estarei lá, aí você faz o que bem entender tá?

-Mas… Nada não. Esquece. Tudo bem!

Nós voltamos para a Vila, passamos o caminho de volta calados, mas percebi que ele murmurava palavras bem baixinho.

Paramos em frente à casa do meu tio. Ficamos um minuto calados, até que ele quebrou o silêncio:

-Sabe, parece que não, mas foi e sempre serão inesquecíveis esses momentos.

Quando entrei em casa fui para o quarto e a única coisa que consegui fazer foi chorar e chorar até cair no sono.

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